A produção agropecuária de Mendatica evoluiu no tempo. No passado, os pastos e as montanhas do município eram cheias de animais: bovinos, ovinos e principalmente ovelhas da raça “brigasca” e as ovelhas com pêlo farto, adaptas ao ambiente de montanha. Com isso, a produção alimentar, principalmente de carne, mas também de laticínios derivados da produção de leite destes animais, caracterizou durante muitos séculos a produção agro alimentar do município.
Com o Pós-guerra iniciou-se uma crise desta produção alimentar devido à industrialização e à atracção da população para as cidades litorâneas. Somente nestes últimos tempos esta produção alimentar esta se recuperando, através de uma política voltada à valorização alimentar local e a certificação (selo) de um produto típico.
Existem alguns produtos locais como o “Brus”, a “Toma” dos Alpes Marítimos, a “Sora” de ovelha “brigasca”, que são certificados como produtos típicos nacionais e fazem parte do Atlas dos produtos típicos da região Liguria. A “Sora da ovelha brigasca” também faz parte do “slow food” com um certificado a nível nacional.

Quanto à agricultura, a nossa também é uma agricultura difícil, de montanha, e também entrou em declínio quando necessitou de uma comercialização mais ampla. Durante muitos anos era caracterizada como agricultura de sustentação, mas esta não conseguiu superar o impacto com um mercado maior.
No momento a agricultura também vem sendo recuperada com a mesma óptica dos produtos alimentares pastorais, isto é, como agricultura limitada mas de qualidade, principalmente no que se refere aos produtos de montanha, que constituem as bases para a “Cozinha Branca”.
A “Cozinha Branca”, sob a qual formou-se uma estrada, isto é, um itinerário que liga vários municípios ao redor do monte Saccarello. Fazem parte cinco municípios, mas o itinerário entre fronteiras une também os municípios de Tenda e Briga Marítima na França, e os municípios piemonteses de Briga Alta e Ormea. Aqui também existe uma política de valorização da qualidade, a começar com a recuperação de certas produções que já tinham sido esquecidas porque consideradas sem importância, como a cicerchia que em dialeto são chamadas “gasce”. São legumes semelhantes às lentilhas, que serve inclusive para fazer uma farinha, e portanto para fazer as “panissas”, e alguns pratos que já não existiam mais, e agora foram recuperados.
Sem dúvida a batata, a rapa, o alio porró, o alio, são alguns dos produtos que hoje são mais valorizados, exactamente pela Cozinha Branca. Sobre isto existe um projecto da “Coldiretti” de valorização da produção agrícola ligada à Cozinha Branca. Este projecto da Coldiretti valoriza também uma vocação que é natural, em uma zona como a nossa que é uma agricultura biológica. Portanto a maior parte das empresas agrícolas, que já possuem uma vocação biológica porque não é ligada a uma produção em larga escala, mas a um cultivo de tipo tradicional e de montanha, estão se preparando para conseguir o certificado de produto biológico.

Além da recuperação alimentar pastoral e da recuperação dos produtos agrícolas ligados á “Cozinha Branca”, a Coldiretti contribuiu ao melhoramento e à manutenção do pasto. O pasto também sofreu uma forte crise porque se trata de um ambiente natural que conserva o ecosistema somente com a intervenção do homem, caso contrário, o pasto seria invadido pela floresta originaria. Esta crise também se deu no Pós guerra, com a utilização de outras técnicas de forragem que não são aquelas do alpeggio, e isto levou a uma diminuição da extensão do pasto e também a uma piora da qualidade. Este projecto baseia-se, portanto, na recuperação da qualidade do pasto e, principalmente, marcou o inicio do controle do bosque e uma inversão de tendência da política florestal regional dos últimos decénios, que privilegiava o reflorestamento.
O pasto também esta sendo examinado e estudado pela Associação Provincial Cultivadores e, através dos seus técnicos, evidenciou como ocorre a relação harmoniosa entre hectare de pasto e presença de animais. Apenas um número proporcional de cabeças de gado consegue manter as ervas melhores, que devem ser cortadas várias vezes durante o verão e que, sendo ervas que crescem facilmente, apenas o corte consegue impedir as infestações.

Quanto ao leite que é produzido aqui, a Região Liguria dedica muita atenção e deliberou algumas normas para proteger a qualidade, como por exemplo, a “toma de Mendatica” que é um dos produtos melhores e com selo de garantia da Região Liguria.

Os pratos tradicionais que fazem parte da “Cozinha Branca”, são feitos com produtos biológicos, e também fazem parte do Atlas dos produtos melhores da Região Liguria.

 

 





 

 

1- MEIO AMBIENTE E PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
2- ACESSO AOS ALIMENTOS
Na Itália, e também na nossa zona, o acesso aos alimentos não é mais um problema portanto, a maior parte do questionário não faz parte da nossa política alimentar porque não é necessário.
As gestantes, os atletas, as crianças, tem acesso normal aos alimentos, talvez algumas categorias necessitam de mais atenção, mas felizmente não são presentes no nosso território.
O nosso município, individualmente, não tem condições de implantar uma política de tipo social porque a nossa realidade é feita de municípios muito pequenos. Serviços como: escola, refeitório, etc, são realizados a nível de zona, de comunidade montanhesa, de distrito, portanto de união com outros municípios vizinhos onde o controle dos alimentos è um factor peculiar e novo, ligado à uma política que explicamos no item anterior, isto é, de recuperação de produtos típicos. Por exemplo, na situação específica, os quatro municípios da Alta Vale Arroscia, que Mendatica faz parte, as batatas servidas no refeitório da escola de Pornassio (um dos quatro municípios), são todas de produção da Cozinha Branca, todas com selo dos municípios que fazem parte desta cozinha. Isto significa duplo resultado ou duplo objectivo:
• Garantir uma segurança, um controle da qualidade alimentar e nutricional do produto;
• Formação: estamos dentro de um processo educativo, do qual o refeitório também faz parte. O objectivo è o de educar os alunos não apenas a uma correcta alimentação, mas também à auto- conciência , ao reconhecimento que o alimento faz parte de uma cultura que os alunos devem preservar.

Outro exemplo análogo ao refeitório escolástico è a “Casa de Repouso” de Pieve di Teco. Não se trata de alimentação em idade em evolução, mas essencialmente para a terceira idade. A Casa de Repouso è administrada pelo município de Pieve de Teco, mas abrange vários municípios vizinhos. Neste caso, o contacto com a alimentação do território não tem como objectivo a formação, mas a segurança alimentar. O alimento que é oferecido mantém, em algum modo, os laços com a família a qual pertence o idoso.

3- ALIMENTO SEGURO
O alimento seguro, para nos, significa recuperar a fileira da alimentação, isto é, todo o percurso que inicia na semente até o produto final. Na nossa zona, e em muitas partes da Itália, a tendência è de privilegiar a fileira e de certificação da fileira alimentar, sobretudo em chave biológica evitando, portanto, algumas passagens que possam comprometer a genuinidade e a segurança alimentar dos produtos.
Esta dimensão da fileira vai além da dimensão do município individual, do pequeno município que tem poucos habitantes porém, é importante o papel político, e também de decisão do pequeno município, como por exemplo o de Mendatica que deliberou a exclusão de produtos geneticamente modificados no próprio território. Neste sentido, para obter o histórico completo do produto, a nível de vale, existe um projecto que abrange um território bem mais amplo.
4- PREVENÇÃO E CONTROLE DOS DESVIOS NUTRICIONAIS DA POPULAÇÃO
O controle dos desvios nutricionais da população não é de competência municipal. A organização italiana atribui o assunto à ASL (Azienda Sanitaria Locale). A nossa ASL, que é a mesma do município de Pigna, é a nível de província e desenvolve todas as actividades através dos médicos de base e através da estrutura hospitalar.
Existe, porém, como dizemos antes nos itens precedentes, um tema de educação alimentar feito a nível escolástico, passando seja a nível prático nos refeitórios escolares, que como intervenção didáctica em parte pelos mesmos agentes escolásticos, em parte pelos técnicos da ASL que realizam frequentes encontros nas escolas para prevenir doenças da nutrição, principalmente problemas ligados à obesidade, à má alimentação, ou à certas patologias psico-nutricionais como por exemplo a anorexia ou a bulimia.
5- EDUCAÇÃO NUTRICIONAL E INFORMAÇÃO AO CONSUMIDOR

A única coisa que podemos dizer é que o consumidor deve procurar um produto local, um produto típico que se identifique com o território.
Para nos, é muito importante o factor económico, onde o consumo dos produtos do território significa descoberta turística do território. Através da midia, do radio, dos jornais, da televisão e também de folhetos, de actividades incluindo as festas tradicionais, tenta-se difundir esta mensagem, não apenas a nível municipal, mas a todos os municípios incluídos na Cozinha Branca, para garantir que os produtos que possuem este selo tenham aquelas características de garantia da inteira fileira e que garantam não apenas a qualidade nutricional, mas também a identidade com o território.